Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Outrora, beleza

Belo - forma material, forma o material, intransigentemente.
A capa que te cobre é reluzente e digna. Adorna o olfato, o paladar, o tato, a visão. Ah, a visão.
Mas tu te tornas conteúdo por causa de tua capa, ou tua capa que mostra o conteúdo? E ficas assim, em perfeita simetria?
Chegas mesmo a soar em nossos ouvidos uma canção, clara, bela, que magnifica o teu ser e te engrandece.
Em desatino, porém, teu cantar apobrece quando junto do bem-te-vi. Impureza, falsidade. Não vencerá a pureza da verdade.
A verdade não escapou dos olhos de quem viu. A capa perfeita a esconde, mas deixa brechas. E esvaem-se fortes odores e pesadelos. Desilusão.
De perfeito a impuro: não mais dignidade. Morte sem vida.
Ouve-se, agora, apenas o bem-te-vi cantando teu desencanto.

Maysa Sales

2 comentários:

  1. Eu gostaria de saber comentar como voce sabe escrever! hehehe, mas ótimo texto, eu acho que contextualizei o que ele quer dizer hehe
    abrçs ;)

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  2. Aos Poetas e Poetisas...

    Poetas e Poetisas...

    Nunca parem de escrever...

    Quando paramos ...sucumbimos ao mundo...

    Não podemos permitir que tamanha dor alcance nossas almas...elas merecem muito mais ...

    Merecem fluir em meio às palavras...merecem encontrar à liberdade que o mundo não nos dá...

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