Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cosaronhos

Sonhos guardados na estante do coração,
e o meu, fica entre a razão e a vontade.
Quero o não-ainda-quase-desejável-possuído.
Quero, mas não renuncio ao vão, ao insolúvel, inconcreto, permeável.
Não sei me desligar do incurável, da brecha fendida de desdores.
E, pela janela, próxima à estante, passam anseios, delírios, corrupções, desventuras, solidão.
De repente, e maldosamente, ambulam desconcertantes
e se apressam, e correm, e vacilam.
Me aproximo, e se apressam, e correm, e vacilam.
E me canso. Fatigada e desiludida.
E eis que o sol desponta, a lua aparece. E me canso.
E voas, cantando liberdades. E me canso.
E te procuro tão desconsertante. E choro.
E me incompreendo, e me inceito. E te quero.
Claridade, ao fundo daquele túnel inaceitável.
O quarto se abre e entra arcos e íris
Amiga, ter os pés no chão não significa que você não tenha asas.

Maysa Sales

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