Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

terça-feira, 5 de junho de 2012

De-mora

Sempre pensei que amor fosse uma espécie de felicidade clandestina. Aquela em que você, a todo instante, tenta esquecer o livro, para ter a alegria de reencontrá-lo. Em que você finge que o perdeu só pra sentir o prazer do achamento. Assim, uma volúpia entreachados, entre caminhos martirizantes; a esperança de tê-lo e um falso sorriso dizendo que ele estava em posse de outrem. Seguiu-se com fé, por ora e por adiante, crendo-se, no seu íntimo desejo, de que, sim, ele seria seu. E numa posse estonteante, na demora do por vir, fica-se também no meio-tempo. No tempo não ofuscado, nem meramente adiado, mas preci-o-so. Demorar na futura morada, do ser, do querer e do amar. E seguir, por fim, confiante, amante de si e do amor.

Maysa Sales

2 comentários:

  1. Tatá, esse é um dos meus preferidos... Pq escrevi dps que li o conto "Felicidade Clandestina", da Clarice :)

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