Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pra acabar

... Mais ínfimo, mais secreto, mais banal.
O amor. É tão pequeno, tão miúdo, tão abstrato, que não cabe na concha das mãos, e se engana quem acha que ele cabe no coração. Ele cabe em si e ponto. Não se deixa ficar, não cria ninho. Ele vira sangue, água, luz, escuridão. Se o homem ainda não descobriu a fórmula de ser mutante, é só perguntar pro amor. Com certeza, ele terá a resposta na ponta da língua. O amor é muito é confuso, ah, isso sim. Porque ele vai além da vida. E além da morte. É além dos sentidos. E além do ser. Ele vai, volta, repousa, anda, cospe, chove, não molha, reproduz e nasce. E se recria e se reinventa. Voa, viaja, cai de paraquedas, vai a Marte e ao Japão. Vira rima, vira verso, vira ponto de interrogação. E não se permite começar nem acabar.

Maysa Sales



Amor, então
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa

Paulo Leminski in Caprichos e relaxos

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