Mais um final de ano e já é possível perceber-nos pensativos, atentos, reflexivos. Procuramos na memória tudo aquilo que somou, subtraiu, isso assim, bem clichê mesmo. Clichê porque a vida também o é. Temos família, precisamos estudar, trabalhar, ter rotina, fazer sucesso, ser sempre forte e chorar, apenas se escondido. Somos assim, constantemente escravos de padrões e de responsabilidades. Isso é ser clichê, isso é ser ser. E hoje, vasculhando arquivos concretos, deparei-me com realidades ainda muito recentes e mesmo muito próximas. Realidades em palavras, concretizadas em gestos e em lágrimas. E em tolice. Acho que Deus às vezes permite que olhemos novamente nossos arquivos para que possamos lembrar de Sua misericórdia, de sempre nos revelar o oculto. E dói, dói mesmo. Dói mais ainda ver que deixaste sua vida virar uma bola de neve. Simplesmente guardaste dentro de um porão provas de desamor e fingiste esquecer, mas nunca te livraste de tanto mal. No fim das contas, te tornaste tua própria vítima. Réu, juiz e nada. Te escondeste dentro de uma sombra absolutamente vazia. E te perguntas por quê, e as respostas preferes deixá-las também guardadas. E muito mais te vem à memória, mas tanto turbilhão te deixa ainda mais atordoado. A esperança disso tudo, no fim das coisas, é que pelo menos sejam esses amaranhamentos tua libertação. Esse, um de teus desejos mais inalcançados.
Maysa Sales
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