"Embora bem perto, em linha reta, do ponto morto, não apressava o passo. Teria podido fazê-lo sem dúvida, mas tinha de me poupar, se tivesse vontade de chegar Não tinha, mas era obrigado a dar o meu melhor, para chegar. Um objetivo desejável, nunca tive tempo de refletir sobre isso. Ir adiante, chamo isso de adiante, sempre fui adiante, senão em linha reta, pelo menos segundo a figura estipulada para mim. Não houve lugar na minha vida para outra coisa. Ainda é Mahood quem fala. Nunca parei. As paradas que fiz não contam. Era a fim de poder continuar. Não as utilizei para meditar sobre a minha condição, mas para me esfregar, o melhor que podia com um bálsamo tranquilizante, por exemplo, ou me dar uma injeção de láudano, operações dificultosas para quem tem só uma perna. Com frequência diziam, Caiu, quando na realidade eu tinha ido abaixo de livre e espontânea vontade, a fim de pode soltar minhas muletas e ter as mãos livres para cuidar de mim como convinha. É verdade que é difícil, para quem tem só uma perna, deitar-se ao chão propriamente falando, sobretudo quando a cabeça é fraca e a coisa aperta e a perna que resta é mole de tanto não servir mais. O mais simples é jogar fora as muletas e desabar. Era o que eu fazia. Logo, tinham razão ao dizer que eu tinha caído, não se enganavam muito. Também me aconteceu de cair sem querer, mas não com frequência, não com frequência, um velho guerreiro como eu, imaginem, não lhe acontece com frequência cair sem querer, ele se deixa cair a tempo"
Samuel Beckett in: o inominável
Maísa – Manuel Bandeira
ResponderExcluirPor Editor, 20 de janeiro de 2009 18:39
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Um dia pensei um poema para Maísa
“Maísa não é isso
Maísa não é aquilo
Como é então que Maísa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?
Muito simplesmente
Maísa não é isso mas Maísa tem aquilo
Maísa não é aquilo mas Maísa tem isto
Os olhos de Maísa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos Não-Pacíficos
A boca de Maísa é isto isso e aquilo
Quem fala mais em Maísa a boca ou os olhos?
Os olhos e a boca de Maísa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca de Maísa se condói se contrai se contorce como a ostra viva em que se pingou uma gota de limão
A boca de Maísa escanteia e os olhos de Maísa ficam sérios
meu Deus como os olhos de Maísa podem ser sérios e como a boca de Maísa pode ser amarga!
Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)”
Cacei imagens delirantes
Maísa podia não gostar
Cassei o poema.
Maísa reapareceu depois de longa ausência
Maísa emagreceu
Está melhor assim?
Nem melhor nem pior
Maísa não é um corpo
Maísa são dois olhos e uma boca
Essa é a Maísa da televisão
A Maísa que canta
A outra eu não conheço não
Não conheço de todo
Mas mando um beijo para ela.
Manuel Bandeira in “Estrela da Vida Inteira”, 3ª edição, Livraria José Olympio Editora, 1973.