Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

sábado, 11 de agosto de 2012

Instranho, liberdade

Estranho é encontrar-se, descobrir-se. Há muitas e muitas ideologias acerca da necessidade (?) de se saber quem somos, o que fazemos no mundo, o que queremos não só dele, mas, principalmente de nós. E é fantástico o momento mesmo da revelação. Diria que é uma espécie mesmo de epifania. É como encontrar pérolas em meio à névoa. É como voltar a pular no parque. É como ser feliz sendo quem se é. Sempre soube de minha liberdade, sempre soube que sou assim, livre. Foi extremamente fantástico, sim, foi fantástico, descobrir-me passarinho. Passarinho estudando, trabalhando, sendo filha, sendo irmã, sendo mulher. Minhas asas são o equilíbrio da minha alma, do meu mais íntimo eu. O que sou e o que faço são para alcançar, viver, desfrutar, degustar, deglutir minha liberdade. Minha liberdade é o que sou, o que tenho. É o meu estranho particular. É minha vidraça quebrada, meu teto de vidro. Cortar minhas asas é latrocínio. Morte súbita. Asfixia. Compro e roubo minha liberdade, deliquentemente e distraidamente. Isso sou eu. E roubar-me de mim é o maior crime que se pode fazer.

"Estou livre? Tem qualquer coisa que ainda me prende. Ou prendo-me a ela? Também é assim: não estou toda solta por estar em união com tudo. Aliás uma pessoa é tudo. Não é pesado de se carregar porque simplesmente não se carrega: é-se o tudo". (C.L in Água Viva)

Maysa Sales

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