Não sei o porquê de ficar tão impressionada com a movimentação da vida.
Um dia faz calor, outro dia faz frio, muito frio. Num dia você está a 1700 km de sua casa, no outro, já está dormindo na sua cama.
E a vida vai indo assim... Você vê seus primos crescendo, outros nascendo, e outros morrendo. E essa não estaticidade da vida às vezes me assusta.
Assusta porque não dá para pará-la. E, cada segundo que vivemos, já nos escapa, e um outro escapa novamente. A vida talvez seja isso: um escapamento, ou tomando de emprestado Derrida, um rastro. Aquilo que não tem origem, mas é já em si uma origem, uma origem que se perde e se confunde no ontem, já no hoje, que já é carregado de tanto amanhã.
E as pessoas também são para a vida como peças de um quebra-cabeça. Mas é um quebra-cabeça infinito. Quando se pensa que já está ajustado, lá vem a vida e troca as peças de lugar. Odeio ser uma peça, não gosto de sair do meu posto de conforto. Tenho medo de não me ajustar. Mas o que é muito interessante é perceber que sempre me ajusto. E que o medo faz de mim uma vencedora. Se eu tive medo do abismo, lancei-me infinitamente nele. Fechei os olhos, abri os braços e fui... Ainda não caí, o abismo é mesmo infinito! Será? Ainda há muita luz, às vezes fica escuro. Não sei se o escuro se dá quando fecho os olhos, porque aqui anda muitíssimo iluminado, ou se a escuridão é o rastro de alguém que já passou e está ofuscando a luz. Bem, o importante é que estou seguindo. "O infinito é realmente um dos deuses mais lindos".
Era pra ser sobre movimentação, mas acabou sendo um quebra-cabeça. Ainda estou quebrando a cabeça para entender o que finalmente queria dizer com tudo isso.
Maysa Sales
"E, cada segundo que vivemos, já nos escapa, e um outro escapa novamente."
ResponderExcluirSe for importante, segure-o !