Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

domingo, 28 de agosto de 2011

Quase ritmo

Andei procurando a música da vida, da minha, da vida, de tudo, enfim. E minha frustração foi perceber que todos os outros sentidos se aguçavam e me pegavam. Senti cheiros, conhecidos e muitos outros ausentes. Pude sentir a brisa do mar, me convidando a experimentar o infinito e aquilo que não posso alcançar. Chorei, tive vontade de retroceder, pois não consigo ir além, muito além é sufocante. E desisti. Senti outro aroma, aquele de quanto te conheci, cheiro de medo, de dúvida, nenhuma paz. Apenas algo me impulsionando a ir de encontro a mim e aos meus sonhos. Fui e não consegui voltar. E o cheiro da solidão, o mais apurado, célebre, não me fez nada. Não chorei, não sorri, paralisei-me apenas. Ela sempre está ali, perto... E às vezes dou passagem, outras, já a escondo para que não fuja, nunca se sabe quando precisarei dela. E o cheiro de quando me inebrio de alegrias e risadas inconsequentes, rodopiantes. Giro também, no compasso de qualquer música, para tontear-me e perder a lucidez, até cair, como criança, e pensar 'tola'. E sinto, enfim, o cheiro de tudo que me pertence, de tudo que sou. E sinto novamente que não conseguirei, que, de tão embriagada, cairei e não lembrarei nem mesmo quem sou. Não faz diferença, eu nunca soube de nenhuma dessas verdades, e descobri-las faria-me desfalecer.

Maysa Sales

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