Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Um sopro, ou um vulcão

E está assim...
O vento parado, sem curva, atônito
Queria ele voltar a ser forte e até fazer barulho.
Mas isso é em vão. E já passou do tempo de ser eficaz. Não há razões claras, nem mesmo óbvias, para ser sagaz. Invencível. Impalpável.
Só ele sabe o que é correr de si mesmo... E alcançar-se. Mesmo em paradoxo.
Uma solidão conjunta e em harmonia. Sem necessidade de exteriores, até porque não havia nada além dele, sobre ele.
Decidiu assim... interromper seus conflitos, que já não tinham propósitos. Eram vazios, como o vento. E já estavam até sem cheiro e sem cor.
Tentou, quis voltar atrás, não queria se arrepender. Tentou buscar aquela força de outrora, reconquistá-la.
E por desventura do destino, percebeu, em infortúnio, que não se pode conquistar o que já é seu, e não se pode conquistar aquilo que jamais lhe pertencera.
E, ao defrontar-se com essa triste realidade, percebeu-se fraco e insolúvel. Vivera uma ilusão. Nunca fora forte, mas apenas um alguém que acreditava em uma fantasia. Cinzenta, nebulosa.

E, de repente, um vulcão se forma...
A tudo destruiu, não com a força que jamais lhe pertencera, mas com a força que, finalmente, conquistara.

Maysa Sales

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