Distribuir palavras talvez possa ser fraqueza e deixa à mostra do inimigo alguma insensatez. Melhor não dizer. Melhor calar-se e mostrar-se sorrateiramente. Deixa assim, o dito pelo não-dito. E ficamos bem.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sou apenas ex

A delicadeza e liberdade de ser ex.
Ser ex é olhar pra trás e dizer: fui, mas já não estou.
É não querer retroceder, nem planejar mais um futuro, mas viver o hoje, assim, livre.
Ser ex é também injusto. Porque é ainda pertencimento.
Quando se diz ex, é manter eternamente um laço com aquilo que já não se é.
Coleciono meus exes. Sou ex-aluna, ex-funcionária, ex-amiga, ex-anônima, ex-ausente.
Sou ex-eu-mesmo. Ex-criança, ex-adolescente, ex-adulta e ex-senhora.
Sou ex nesse instante. Nesse instante mesmo que me perco. Nesse instante mesmo que me des-faço. Desfaço-me em eus, e cada eu que não me volta é um ex de mim mesma.
Não sou eu. Sou apenas ex.

Maysa Sales

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